Jornal O Estado De São Paulo - Estadão Leste - Sexta Feira, 20 de agosto de 2004
Os 448 anos mais chamosos de São Paulo


Parabéns pelos seus 448 anos.

Bar Mooca.

Venha conhecer o Bar Mooca, e descubra o que este bairro tem de melhor.

A tradição mora aqui Bello!

Estacionamento com manobrista.

Lá pelos idos de 1556, a governança de Santo André expediu uma ordem para a construção de uma ponte sobre o rio Tamanduateí, que seria usada para a passagem dos jesuítas. O local, que até então era habitado por aborígenes, recebeu as primeiras cadas. Esta é a semente da Mooca, que neste mês comemora o seu 448º aniversário.

A origem do nome do bairro possui várias versões: Em tupi-guarani "Moo"significa construir e "Oca", casas. Portanto, Mooca é igual a construir casas. Mas, os índios também chamavam de Mooca um dos afluentes do rio Tamanduateí que passava perto de onde é hoje a rua Tabatinguera. Deste ribeirão extraia-se barro branco (tawa tiga em tupi) para que os portugueses revestissem suas casas, daí o nome Tabatinguera.

Até meados do século XIX, a Mooca era dominada por caminhos rústicos eruas arborizadas por onde transitavam tropas de burros, carros de boi e cavaleiros. Esse cenário bucólico desapareceria sob o signo do progresso. Em 1867, São Paulo recebeu a Estrada de Ferro Inglesa, a São Paulo Railway. Um ramal se estendeu até o bairro com trilhos colocados ao leito de uma rua, hoje a rua dos Trilhos.

Outro acontecimento alavancou o local em 1867: a criação do Clube Paulista de Corridas de Cavalos, pelo fazendeiro Rafael Aguiar Paes de Barros, inaugurado oficialmente em 1890; acontecia o nascimento do turfe no Brasil. Os animais, trazidos da França e Inglaterra, eram criados nas terras do próprio faendeiro. A corrida de cavalos se tornou tão importante para o desenvolvimento da região que, em 1877, instalou-se uma linha de bonde Centro Mooca de tração animal, que logo mais seria substituída por uma férrea.

Em 1870 e 1890, sugiram por volta de 40 fábricas e muitas casas em terrenos loteados na região do Hipódromo e da várzea do Tamanduateí, isso porque o valor baixo atraiu tanto os operários como as empresas. Neste mesmo período chegaram os imigrantes húngaros, espanhóis, italianos e lituanos.

A vocação fabril do bairro se deu no final do século XIX, com o surgimento das primeiras indústrias texteis impulsionadas pelo crescimento das lavouras de algodão do interior paulista. O Cotonifício Rodolfo Crespi foi o primeiro, inaugurado em 1897. Seguiram-se a de tecidos Labor, a Alpargatas, a Santa Celina, a tecelagem Três Irmãos Andraus, a fábrica de meias Mousseline, entre outras.

As confluências da Av. Paes de Barros com a R. da Mooca e R. do Oratório, onde hoje se localiza um monumento ao Padre Anchieta, já foi conhecida como a Pça. Vermelha. Ali, em 1917, uma concentração de 45 mil trabalhadores cruzaram os braços na primeira greve geral de operários que se tem notícia no País. O pioneiro na paralizaçào foi o Cotonifício, que empregava imigrantes, muitos dos quais adeptos ao anarquismo.

O tempo passou, a Mooca cresceu e mostrou ser um dos poucos bairros preocupados com a consevação de sua história, cultura e gastronomia.

 

Rua Doutor João Batista de Lacerda, 728 Mooca - Tel.: 6606-7064 - barmooca@barmooca.com.br.